Que ano incrível para o Ilumina!

O que começou como um sonho de uma violista tomou asas e começou a conectar pessoas através do mundo, num espírito de generosidade e amor pela música. A base do Ilumina é que a música é uma atividade social. Ela deve encantar, desafiar, iluminar. O tema do festival de 2016 foi “Isto tudo é pra você!” e de fato, em tudo que fazemos, queremos servir e conectar pessoas.

Minha idéia para o festival era que ele seja um laboratório musical e social – que nós criássemos performances inovadoras, de ponta, e ao mesmo tempo gerássemos novas oportunidades para uma geração de talentos que vem de uma realidade difícil, mas cujas vozes merecem ser ouvidas. Eu queria que o próprio processo de construção musical na comunidade Ilumina fosse o fator que mudasse essas vidas – que a cada ano um grupo de jovens músicos tenha acesso a um futuro melhor do que teria sem ele.

Eu não tinha dúvidas de que meus colegas internacionais, todos líderes nos seus campos, receberiam tanta inspiração desses jovens quanto eu, e que eles ganhariam tanto quanto dessem de si. Os fortes laços que nós vimos crescerem são exatamente o que eu mais esperava. A música sempre se baseou num intercâmbio de conhecimentos de um a um. Um único grande professor pode mudar a cara de toda uma cidade dessa forma. Quando planta as sementes da boa formação musical, o Ilumina também está formando futuros cultivadores, que passarão o que sabem.

Nós também miramos alto com o programa! Um dos projetos foi a monumental obra “As Sete Últimas Palavras de Cristo” de Haydn, apresentada em Piracaia, onde todos os participantes tocaram pelo menos um movimento com um dos solistas internacionais. Em São Paulo, fechamos o festival com um dia de música de câmara no MASP, com concertos pop-up até no meio da Avenida Paulista. As entradas para o concerto de encerramento esgotaram em dez minutos, com mais centenas de pessoas que infelizmente não conseguiram ingresso. Apresentamos um programa “difícil” e inovador, sem deixar de lado a música contemporânea. Em todos os concertos, nos quais o público consistia em sua maioria de pessoas que estavam apreciando a música de câmara pela primeira vez, ficamos tocados pela resposta e recepção das comunidades.

Investir em talentos de países como o Brasil é fundamental para o mundo e para o mundo da música clássica. A Europa não precisa de mais castelos. Nossa arte precisa das vozes e da energia desta nova geração tanto quanto ela precisa de nós. Em 2015, vimos um grupo extraordinário começar a deixar a sua marca, entrado em alguns dos maiores conservatórios do mundo e conquistando novas posições. Isso é muito impressionante, mas o que importa ainda mais são as conquistas difíceis de medir – o entendimento, o respeito, a generosidade e a boa vontade que geramos na busca de uma vida e de um mundo mais musical. A música faz acontecer.

Vimos também uma efusão incrível de generosidade de todas as formas, de todas as partes do mundo, e nos sentimos profundamente gratos e comovidos. Nossa nova parceria com a Cultura Artística é entusiasmante, e é muito especial para mim que este festival teve tanto apoio de pessoas que acreditam no potencial transformador da música. É um orgulho ser parte disto e eu não consigo esperar pelo que vem pela frente. Vamos!