Guilherme Moraes      violoncelista

Guilherme cresceu em São Paulo e participou do primeiro Ilumina, onde conheceu Giovanni Gnocchi, professor da Universidade Mozarteum de Salzburg. Com o apoio de Giovanni, Guilherme prestou audição em Junho de 2015, e passou em primeiro lugar. Ele agora está fazendo bachalerado no Mozarteum e tentando se adaptar ao frio austríaco.

“Trilhar um caminho na música clássica no Brasil, sabemos, não é fácil; escolher ser músico camerista, ainda mais complicado. Todavia, sem estímulo não há a menor possibilidade de mudarmos esse cenário, e é aí que entra o Ilumina, sendo um dos poucos (se não o único) no Brasil dedicado puramente à prática dessa modalidade. Através do Festival, encontrei ainda mais inspiração para seguir esse caminho e acredito que não fui o único.

Agora, um ano após o Ilumina, consigo ainda mais perceber como fazer parte do festival foi um divisor de águas para que conseguisse chegar onde estou. O trabalho dos músicos profissionais, sua musicalidade e atenção aos estudantes mudaram minha concepção não só de música, mas - por que não dizer? - de mundo e foi durante o festival que fui aos poucos entendendo quão importante é o trabalho que ali fazemos, um trabalho árduo, cansativo, mas que valeu e vale a pena até hoje.

Lá conheci meu atual professor na Universidade Mozarteum de Salzburgo, Giovanni Gnocchi, músico excepcional e grande inspiração e tenho certeza que todos nós, estudantes, encontram nos professores um caminho a ser trilhado, um ideal seja de som, de vida, de técnica, coisa que infelizmente não podemos encontrar em qualquer esquina no Brasil.

O Ilumina é importante pra mim não só porque abre portas, mas porque me ensinou o caminho até elas e me fez entender o que fazer depois de alcançá-las. É importante porque leva músicos de uma realidade não tão favorável a lugares que talvez não chegariam por si só. É importante porque cria melhores músicos, melhores pessoas, melhores talentos, melhores futuros, melhores oportunidades - e é disso que o mundo precisa.”

Nathan Amaral    violinista

Nathan cresceu no Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro. Entrou na UFRJ com 16 anos de idade, e logo se mudou para São Paulo para participar da academia da OSESP. Agora ele está se preparando para prestar audições na Europa, onde diversos professores renomados o convidaram a se inscrever.

“Sabe, eu nunca esperei que eu ia ser violinista ou aprender música porque eu moro numa favela no Rio, uma comunidade pobre, e não tem muitas oportunidades para estudar. Um dia, um senhor que a gente não conhecia bateu lá em casa e perguntou – “Você quer tocar violino?” Assim. E eu pensei, meu Deus, Deus me deu a oportunidade de estudar violino. Eu nunca tinha ouvido falar de violino antes. Ele era dum projeto que estava começando com as crianças da comunidade, e estava procurando meninos na rua. No começo eu falei não, eu não quero, eu achava que era coisa de menina!

Mas aí minha mãe insistiu, ela disse que eu tinha que tentar porque era de graça, então eu tinha que ir lá e ver se eu gostava e se eu não gostasse, tudo bem. Eu tentei uma semana e continuei indo... e agora eu estou aqui. Eu tinha doze anos quando comecei, então eu sempre me esforcei para compensar.

Eu ouvi falar deste festival dos meus amigo que vieram aqui no ano passado. A emoção deste festival, das pessoas, tem tantos músicos bons – Eu acho que é o melhor do Brasil. É muito especial. Não só por causa dos músicos, que são bons e a gente toca junto, mas também porque os músicos internacionais não são mais importantes do que nós – É todo mundo aprendendo junto. É incrível. Quer dizer, a gente pode falar com o Giovanni, com a Jennifer, a Sacha como amigo, não só – “Oh, você é importante, eu não posso falar com você fora do trabalho, fora do ensaio”. Não, a gente almoça junto, janta junto, a gente faz tudo junto.”

Davi Ciriaco   contrabaixista

Davi vem da comunidade São Mateus em Osasco. Ele está planejando se mudar para a Filadélfia para estudar com Joseph Conyers, que ele conheceu no Ilumina.

“O Ilumina foi uma grande revelação para mim sobre quem eu quero ser, o que eu quero trazer para a sociedade e o que eu quero fazer como músico também. Quando eu comecei a aprender música no CEU lá perto de casa, eu percebi que eu precisava mesmo me dedicar ao instrumento – Não é só diversão. E os professores me mostraram que eu tinha oportunidade.

Mas quando eu vim para cá eu vi o que a música pode fazer pelas pessoas e o que eu posso fazer como músico. Isso me deu certeza que é isso que eu quero fazer. Nós convresamos ontem e foi muito importante – que o músico precisa saber de tudo, não só tocar o instrumento. Você precisa saber tudo, porque senão você não pode ser o melhor músico que você consegue. E agora eu procuro isso, todos os dias. Minha música fica mais rica. Com os músicos aqui, eu consigo ver claramente o detalhe que é importante para nós, e como nós podemos contribuir para a sociedade.

O Joseph [Conyers] sempre me faz pensar porque ele é tão profundo nas idéias e na música, e se ele não dissesse o que ele diz, eu não poderia imaginar. É um grande mundo que eu descobri, e isso me faz ver como eu quero ser no futuro como professor – mostrar para os meus alunos mais do que só o que está escrito na página.”